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Eis um artigo para reflexão sobre a qualidade do ensino. Quase tudo depende - portanto - do ocorre na sala-de-aula!

MUDANÇAS CURRICULARES

Por Geraldina Porto Witter,Coordenadora Geral de Pós-Graduação Stricto Sensu - UNICASTELO


Por prazer e por questão de trabalho leio muito sobre o que se pesquisa em educação, independentemente do enfoque teórico já que dados de pesquisa bem colhidos valem por si mesmo e não pela interpretação com que possam ser revistos. Destas leituras alguns aspectos de há muito tenho destacado em meus trabalhos.

Há poucos dias, li um artigo de Slavin (2009a) na revista Better: Evidence – based Education em que apresenta uma síntese de pesquisas sobre o ensino de Matemática. Só incluiu como pesquisa em sua análise os estudos que preencheram os seguintes critérios: comparar alunos de um programa específico emparelhados com outros em programas regulares, recorrer a avaliações gerais sem focar predominantemente o programa sendo testado e as avaliações deveriam acompanhar o programa por pelo menos 12 semanas, preferencialmente por um ano ou mais. Cobriu toda a produção recente dos USA tendo analisado 200 trabalhos sobre ensino de Matemática que classificou em três áreas: currículo, ensino por computador e estratégias de ensino.

O autor concluiu a partir das evidências encontradas que: (a) não há qualquer evidência de que currículos diferentes resultem em resultados distintos; (b) são limitadas as evidências de que o uso do computador melhore a aprendizagem e (c) o que realmente faz a diferença é o uso de estratégias eficientes de ensino. Para se melhorar a qualidade do ensino e obter melhores resultados, o mais importante é focar o que ocorre na sala de aula. Desta forma, apenas confirma outros trabalhos de metaciência e o que muitas outras pesquisas já demonstraram (Sharples, 2009, Slavin, 2009b).

Quando se foca a sala de aula dois personagens merecem a maior atenção: o professor e o aluno. A isto se acresce todo o contexto da sala inclusive o material didático.

Será que isto está ocorrendo na realidade educacional? Como estão os professores? Como estão os alunos? Qual o contexto? Os pais estão participando? Estão vigilantes em relação ao que é oferecido aos seus filhos?

As autoridades educacionais estão cientes de que sem ter dados de pesquisas que gerem evidências qualquer mudança política pode não passar de trocar “seis por meia dúzia”? De que se pode estar mudando os nomes dos bois que estão no pasto sem nada alterar da realidade do aprendizado e sem alcançar as competências desejáveis?

Todo cidadão, toda a nação, todo desenvolvimento depende da Educação. É necessário que todos estejam atentos ao que ocorre neste setor. Não basta ter escolas. É preciso que possam e cumpram seu papel no desenvolvimento das pessoas e da sociedade.

Vale dizer que a resposta científica à pergunta que serviu de título a estas considerações é: NÃO. É preciso muito mais e ir à essência do problema.


Referências

Slavin, R. (2009a). What works in teaching math. Better: Evidence – based Education, 2(1): 4-5.

Slavin, R. (2009b). What works in teaching reading. Better: Evidence – based Education, 1(1): 4-5.

Sharples, J. (2009). Commited to evidence. Better: Evidence – based Education, 1(1): 20-21.

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