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Mostrando postagens de 2026

Eleições: não há vínculo de emprego aos trabalhadores, nesta época

Cantam as canções da nossa terra que a vida devia ser bem melhor e será, mas o cotidiano das nossas esquinas teima em expor as feridas da precarização laboral. Em tempos de pleito eleitoral, as ruas das cidades são tomadas por braços e rostos de homens e mulheres que empunham bandeiras, distribuem panfletos e gritam slogans sob o sol escaldante, sustentando a engrenagem viva da democracia brasileira. Contudo, sob a ótica dos direitos sociais fundamentais, o cenário que se descortina é de profundo desamparo e abandono da dignidade humana. Ao olharmos para o ordenamento jurídico, deparamos com o regramento do Artigo 100 da Lei 9.504 de 1997, norma que exclui taxativamente tais trabalhadores do manto protetivo da Consolidação das Leis do Trabalho. Ao remeter a contratação ao enquadramento de contribuinte individual da Lei 8.212 de 1991, o legislador criou uma ficção de autonomia para uma atividade manifestamente subordinada. Tira-se do telhado da CLT uma massa imensa de pessoas vulnerávei...

Alvará para liberar saque do FGTS: novo precedente do TST (Tema 32)

 O cenário da competência para a liberação dos saldos depositados na conta vinculada do FGTS sempre foi marcado por debates complexos. Com a fixação do Tema 32 da Tabela de Precedentes Qualificados do TST , o sistema trabalhista ganhou uma importante diretriz jurisprudencial que redefine e delimita o papel da Justiça do Trabalho nessa matéria. Contudo, ao analisar detidamente o julgado, percebe-se que o TST atribuiu a si mesmo uma competência parcial , delimitando com precisão até onde vai a jurisdição especializada e onde começa a atuação da Justiça Comum. A grande novidade trazida pelo Tema 32 reside na fixação do critério de ligação entre a pretensão do trabalhador e o contrato de trabalho. A Justiça do Trabalho passou a ser declarada competente para apreciar os pedidos referentes aos incisos I, I-A, II, IX e X do artigo 20 da Lei nº 8.036/1990. A razão dessa delimitação é clara: essas hipóteses — como a demissão sem justa causa, a rescisão por acordo e a extinção do contrato a ...

Diploma para ser Jornalista: debate imaginário entre Platão e Aristóteles, por conta dos fatos levantados por Flávio Dino e Alexandre de Moraes, nesta semana de agosto de 2026

Platão: Veja, meu caro Aristóteles, o longo caminhar das leis humanas no Brasil sobre a arte de narrar a verdade. A busca pelo diploma no jornalismo é o anseio da alma por contemplar a Ideia pura da Verdade . Desde a Era Vargas, em 1938, com a criação das escolas de Jornalismo, e declarando que no futuro só seriam jornalistas quem tivessem Diploma (tanto que Jânio Quadros criou um Decreto há 65 anos (1961) assim determinando), tentou-se criar a cidade ideal, onde apenas os jornalistas, devidamente educados e aptos na contemplação e informação do saber, pudessem guiar o povo para fora da caverna das ilusões. Aristóteles: A intenção é nobre, meu Mestre, mas a pólis não vive apenas de ideias puras, e sim de realidades práticas. Quando Tancredo Neves (então primeiro-ministro) revogou essa exigência em 1962, parece ter havido uma prudência: o excesso de rigor pode sufocar a vida prática da cidade. O equilíbrio é a chave. Exigir o diploma como condição absoluta pode ser um extremo que im...

A CLT Virou um GPS Quebrado: Tema 215 do TST e como um trabalhador do sertão vai processar uma firma de São Paulo sem sair da própria sala

Eu sou a petição inicial mais perigosa que um advogado trabalhista já colocou no papel. Enquanto a maioria dos processos nasce acorrentada ao chão de fábrica onde o patrão manda e desmanda, eu acabo de ganhar um passaporte diplomático concedido direto pela mais alta corte do país. Durante décadas, o artigo 651 da Consolidação das Leis do Trabalho funcionou como uma algema invisível, obrigando o trabalhador a viajar centenas de quilômetros de volta ao ninho da serpente para conseguir cobrar seus direitos, mas esse jogo virou a favor de quem tem mais bala na agulha até hoje. No julgamento que fixou o entendimento do Tema 215, o Tribunal Superior do Trabalho dinamitou essa fortaleza ao permitir que a ação seja aberta no quintal da casa do trabalhador, mesmo que a empresa seja um pequeno negócio sem qualquer sede nacional. A nova missão do advogado do reclamante, como em um processo investigativo, é mapear cada brecha onde o deslocamento físico vira uma verdadeira tortura financeira ou p...

Desconstruindo a Pejotização pelas Réguas do Direito Civil: A Releitura do Tema 1389 do STF sob a Ótica Pró-Operário

A Encruzilhada Constitucional e a Invasão das Premissas Cíveis A consolidação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal acerca da licitude de formas alternativas de contratação, como a terceirização de atividade-fim e a "pejotização" (ADPF 324 e RE 958.252), promoveu uma guinada hermenêutica no direito do trabalho brasileiro. A Corte Suprema passou a presumir a validade da autonomia privada e da liberdade contratual, desconstituindo decisões das instâncias ordinárias trabalhistas que declaravam o vínculo de emprego apenas com base na tradicional aplicação do princípio da primazia da realidade. Com a afetação do Tema 1389 da Repercussão Geral (ARE 1532603), de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, o debate atingiu seu ápice. O tema submete ao Plenário a delimitação da competência da Justiça do Trabalho, a distribuição do ônus da prova na alegação de fraude e os critérios para aferição da licitude das contratações cíveis. Diante desse cenário, a resistência institucion...

EPI eficaz ainda elimina o adicional de insalubridade? A virada do TRT-12

A recente decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, em Santa Catarina, reacende um debate fundamental sobre a hermenêutica e a hierarquia das fontes no Direito do Trabalho. O Regional catarinense reconheceu o direito do empregado ao adicional de insalubridade decorrente da exposição ao ruído, mesmo diante da comprovação técnica de fornecimento e uso de protetores auriculares que atenuavam o agente ao nível de tolerância legal. Para respaldar a condenação, a Turma buscou fundamento na tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 555 de Repercussão Geral. Ocorre que esse precedente paradigma foi gestado e delineado na matriz do Direito Previdenciário, ao examinar os requisitos essenciais para a concessão da aposentadoria especial sob o prisma da nocividade sistêmica do agente som. Essa importação de ratio decidendi da seara previdenciária tensiona diretamente a arquitetura normativa trabalhista tradicional. Sob o rigor da Consolidação das Leis do Trabalho, a matéria...

A Rádio Relógio da “hora da estrela” é a IA de antigamente: análise da aplicação de IA nos cursos de Direito

No romance A Hora da Estrela , de Clarice Lispector, a desamparada Macabéa passa suas horas vagas sintonizada, ouvindo uma estação de rádio, chamada “Rádio Relógio”, que de forma contínua, trazia curiosidades científicas e fatias fragmentadas de informações. A personagem Macabéa decora as palavras difíceis, fascina-se com a precisão dos minutos emitidos a cada quarto de hora, mas infelizmente ela não tinha um repertório cognitivo, cultural e social para processar aquela enxurrada informativa. Ela, em conversas com seu namorado Olímpico, repete as informações da Rádio, mas sem compreender a substância; ela consome a informação, mas permanece alienada do saber, do conhecimento. Décadas após a publicação desta obra-prima, a inteligência artificial se apresenta aos bancos escolares exatamente como a Rádio Relógio descrita no livro, mas agora, no modo digital, operando o mesmo milagre de fornecer respostas prontas a indivíduos que, muitas vezes, ainda não desenvolveram a estrutura menta...

Responsabilidade Objetiva e o TEMA 932 do STF

A fixação do Tema 932 pelo Supremo Tribunal Federal representou um marco histórico na definição dos limites da responsabilidade civil no ambiente de trabalho, mas também trouxe um debate sobre como são vagas as expressões que o STF colocou no texto e quais são seus reflexos práticos. O centro da controvérsia reside na parte final da tese jurídica aprovada, que estipula a responsabilidade objetiva do empregador, isto é, aquela que dispensa a comprovação de culpa, quando a atividade normalmente desenvolvida apresentar "exposição habitual a risco especial, com potencialidade lesiva e implicar ao trabalhador ônus maior do que aos demais membros da coletividade". Ao optar por essa redação, a Suprema Corte utilizou conceitos jurídicos indeterminados, que são termos de conteúdo abertos, são janelas abertas para o futuro, para situações novas que possam surgir no futuro, e que o tema, portanto, nunca “envelhecerá”. Embora essa técnica seja boa, usada inclusive no projeto do atual...

Tema 59 do TST e Tema 725 do STF: uma nova exceção à responsabilidade subsidiária?

O TST - Tribunal Superior do Trabalho firmou recentemente o Tema 59 dos recursos repetitivos, estabelecendo que a contratação de serviços de transporte de mercadorias, por possuir natureza comercial, não se enquadra na terceirização prevista na Súmula 331 e, por isso, não enseja a responsabilização subsidiária da empresa contratante pelos débitos trabalhistas da transportadora. A conclusão foi construída a partir da disciplina específica da Lei nº 11.442/2007, especialmente dos seus arts. 5º e 8º, que tratam da relação jurídica estabelecida entre o contratante e a empresa transportadora. A tese chama atenção não apenas pelos seus efeitos práticos, mas também pelo contraste com a orientação fixada anteriormente pelo STF - Supremo Tribunal Federal no Tema 725 da repercussão geral. Em 2018, o STF consolidou o entendimento de que é lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envol...

O Tema 41 do TST e o silêncio kafkiano

Há decisões que falam muito. Outras, paradoxalmente, falam menos quanto mais pretendem dizer. No Tema 41, o Tribunal Superior do Trabalho optou por uma dessas formas silenciosas de construção jurisprudencial: disse o essencial, ou seja, que terceiros podem recolher custas e depósito recursal, e, em seguida, silenciou sobre quase tudo o que realmente importa. Lembro, inevitavelmente, de Kafka em O silêncio das sereias. Ali, ele subverte o episódio clássico de Ulisses: não é o canto que engana, mas o silêncio. Kafka escreve que “as sereias possuem uma arma ainda mais terrível que o canto: o seu silêncio”. Ulisses, acreditando estar protegido contra o canto, não percebe que o verdadeiro perigo era outro. Talvez tenha ouvido algo, talvez não - “Ulisses não ouviu o silêncio delas”, diz Kafka -, e seguiu convicto de sua própria estratégia. O Tema 41 do TST se constrói exatamente nesse espaço. Enquanto recorre ao Código Civil (arts. 304 a 306) para justificar que o pagamento por terceiro ...

Desmistificando o Tema 307 do TST: Como fundamentar a contradita de testemunha em cargo de confiança

No dia a dia das audiências trabalhistas, o advogado do reclamante (empregado) frequentemente enfrenta a indicação, pela empresa, de uma testemunha que exerce cargo de gestão. A reação imediata costuma ser a contradita, porém o sucesso dessa estratégia exige técnica refinada. O norte para essa atuação foi consolidado, recentemente, no Tema 307 do TST, que estabelece que o exercício do cargo de gerência ou função de confiança não constitui, por si só, causa de suspeição. Contudo, o próprio precedente abre duas frentes de exceção que servem como armas processuais para nós, advogados. A primeira exceção, de compreensão mais direta, ocorre quando a testemunha detém poderes de mando e gestão equiparados aos do empregador. Trata-se daquele profissional que atua como o verdadeiro alter ego da empresa, possuindo autonomia plena para admitir e dispensar funcionários, aplicar sanções disciplinares, definir salários ou dirigir de forma soberana a prestação de serviços, personificando a figura ...

Técnica para escapar de temas vinculantes: usar o distinguishing

Muitos advogados cometem o erro procedimental de acreditar que, após a fixação de uma tese jurídica em Recursos Repetitivos (Temas do TST, por exemplo), o enunciado publicado ganha vida própria, ou uma autonomia absoluta. No nosso Processo Civil o precedente não tem esta autonomia. Ele permanece ligado à realidade dos fatos que o gerou pois, no direito brasileiro, o fato dita o direito, e não se atentar às premissas fáticas do caso paradigma (que gerou o precedente vinculante) impede o advogado de construir defesas e petições com uma estratégia ímpar. Assim, para quebrar esta aparente “vida própria” das decisões judiciais, o profissional deve dominar a técnica do distinguishing, ou seja, a distinção. Essa ferramenta foi expressamente positivada no Artigo 489, §1º, inciso VI, do CPC. O texto legal estabelece de forma clara que o magistrado não pode deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte sem demonstrar a existência de “distinção” no caso ...

Dissídio Coletivo: comum acordo é inegociável, e empresa pode sim entrar com esta ação, decide o STF

 Q uem atua no Direito do Trabalho sabe o quanto o TST costuma criar barreiras processuais para as empresas no âmbito coletivo. Em uma decisão monocrática cirúrgica no ARE 1.563.175, o Ministro Gilmar Mendes, do STF, derrubou dois grandes mitos que a corte trabalhista repete há anos, trazendo um debate indispensável para nós, advogados e professores. O primeiro mito é a velha tese do TST de que a empresa ou o sindicato patronal não têm interesse processual para ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica. O argumento clássico daquela corte é o de que, se o empregador quiser dar um benefício, basta concedê-lo por liberalidade, sem precisar de juiz. Mas nós conhecemos o risco prático disso: a concessão unilateral pode gerar o direito adquirido e a incorporação definitiva ao contrato individual de trabalho, engessando a folha de pagamento. Quando a vantagem vem por convenção ou sentença normativa, ela respeita o prazo de vigência do instrumento coletivo e pode ser renegociada de...

ÔNUS DA PROVA AO EMPREGADO: Conheça alguns casos que o TST criou precedentes

Muitas pessoas acreditam que a Justiça do Trabalho sempre protege o trabalhador de forma automática em qualquer situação. É verdade que o direito trabalhista possui um princípio protetivo muito forte. Isso acontece porque o empregado é a parte mais fraca na relação com o patrão. Porém, a realidade jurídica atual mostra um cenário bem mais equilibrado e exigente. O Tribunal Superior do Trabalho, conhecido como TST, vem definindo regras claras que jogam para o empregado a obrigação de provar certas alegações. Na lei brasileira, essa obrigação recebe o nome técnico de ônus da prova. Isso significa que não basta apenas reclamar ou pedir um direito na justiça. O trabalhador precisa levar documentos, testemunhas ou outras provas sólidas para o juiz. Se ele não fizer isso, ele perde a ação. Um exemplo muito comum dessa exigência do tribunal acontece quando a carteira de trabalho não é assinada. Muitos pensam que a falta desse registro gera uma indenização por danos morais de forma automática....

O Camaleão Digital na Justiça: Quando a Petição Vira um Cavalo de Troia

O mundo do Direito está virando uma verdadeira história de espionagem tecnológica. Agora, alguns advogados descobriram um jeito de enganar as inteligências artificiais usadas por juízes e escritórios. Eles escondem ordens secretas no meio das petições. Os humanos não veem nada, mas o computador lê e faz o que eles querem. É o que chamamos de contaminação de prompt ou ataque de injeção de instrução. Essa artimanha funciona como um verdadeiro jabuti processual. É aquele texto enxertado onde não deveria estar. Na prática, vira uma cláusula camuflada ou texto camuflado. O advogado escreve mensagens com letras brancas no fundo branco. O leitor humano acha que a página está vazia. Mas a máquina lê tudo. Cria-se uma mensagem subliminar processual. É uma armadilha digital invisível aos olhos humanos. Essa petição camaleônica usa um texto camaleão para sumir na página. Ela muda de intenção sem que ninguém perceba. O profissional desatento nem desconfia do perigo. É o famoso cavalo de troia ...

A ilusão da blindagem nos Correspondentes Bancários: Por que o Tema 261 do TST vai sufocar seu negócio

O mercado de correspondentes bancários no Brasil caminha a passos largos para a inviabilidade financeira devido à insegurança jurídica trabalhista. Com o Tema 261 do TST já consolidado como precedente vinculante e obrigatório em todo o território nacional, “as empresas de crédito, financiamento ou investimento equiparam-se aos estabelecimentos bancários para os efeitos do artigo 224 da CLT”. O texto parece claro ao mirar em financeiras, mas a aplicação prática nos tribunais trabalhistas transformou-se em uma armadilha inevitável. Mesmo que sua empresa estruture contratos perfeitos, a chance de o Judiciário converter a jornada de seus funcionários de 8 horas para 6 horas diárias é quase certa, e o empresário precisa encarar essa realidade sem ilusões. O grande problema reside na falácia da proteção contratual pois, no Direito do Trabalho existe o princípio da primazia da realidade: - isso significa que contratos de trabalho impecáveis, descrições de cargo puramente administrativas e ref...

Intervalos de descanso no campo: pela atualização do Tema 161 do TST

A proteção à saúde do trabalhador rural avançou significativamente com a fixação do Tema Repetitivo 245 pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que assim declara: "O trabalhador rural que realiza atividades em pé ou com sobrecarga muscular estática ou dinâmica tem direito a pausas de 10min a cada 90min de trabalho, conforme previsto na NR-31 do MTE e art. 72 da CLT". Percebe-se que a garantia de descanso ali fixada foca na fadiga e no cansaço físico, utilizando o artigo 72 da CLT (destinado a digitadores e mecanógrafos), como base analógica. No entanto, este tema não atende plenamente ao trabalhador que atua no campo sob calor extremo. Aplicar a lógica da mecanografia para quem enfrenta o sol escaldante representa um salto interpretativo que ignora a biologia do trabalho. O risco enfrentado por um trabalhador nas frentes de colheita guarda pouca relação com a fadiga muscular de quem opera teclados; trata-se, na verdade, de um risco térmico severo. Para fundamentar o dir...

Temas 240 e 241 do TST: quando a redação melhora, e quando restringe estratégias defensivas legítimas

O TST vem reafirmando antigas súmulas por meio de Temas, sob o discurso de atualização e consolidação jurisprudencial. A comparação entre os Temas 240 e 241 mostra, contudo, que nem toda mudança redacional é neutra: enquanto uma melhora a comunicação, a outra estreita soluções processuais relevantes. Quanto ao Tema 240, tivemos uma clareza, mas sem perda de conteúdo. Vejamos: - a antiga Súmula 12 afirmava que as anotações na carteira profissional não geravam presunção juris et de jure, mas apenas juris tantum. Já o Tema 240 substitui o latim por linguagem direta: - “não geram presunção absoluta, mas apenas relativa”. Aqui há um avanço claro. O conteúdo jurídico permanece intacto, pois a anotação admite prova em contrário, e mais..., a redação se tornou mais acessível, alinhada ao CPC/2015 e à política de linguagem simples. É um exemplo positivo de atualização formal sem impacto material. Diferentemente, temos o Tema 241, onde houve uma mudança terminológica, com efeito restritivo...

A Cláusula de Não Regressão Trabalhista no Tratado Mercosul–União Europeia: efeitos para o Brasil

O Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Europeia avança mais uma etapa rumo à sua plena vigência no ordenamento jurídico brasileiro. Em 17 de março de 2026, foi aprovado pelo Congresso Nacional o Decreto Legislativo nº 14/2026, cumprindo-se a fase legislativa interna prevista no art. 49, I, da Constituição. Agora, aguarda-se a ratificação presidencial e, em seguida, a publicação do Decreto Executivo, que dará publicidade integral ao texto tratado e permitirá sua plena oponibilidade perante o povo brasileiro. Entre os diversos capítulos do tratado, há um especialmente relevante para o Direito do Trabalho: o Capítulo 26 (Comércio e Desenvolvimento Sustentável). É nele que encontramos normas relacionadas à proteção trabalhista, à responsabilidade internacional e, principalmente, à proibição de retrocesso social, também denominada cláusula de não regressão trabalhista. Trata-se de um marco importante: o Brasil, ao ratificar o acordo, assume perante a comunidade internacional ...

Morte do empregado e verbas rescisórias: TST afasta obrigatoriedade de ação de consignação para evitar multa

O tema 238 do TST, em incidente de recurso de revista - IRR, declara que “é inaplicável a multa prevista no artigo 477, § 8º, da CLT no caso de extinção do contrato de trabalho em decorrência do falecimento do empregado”. Este tema foi gerado por conta de ter chegado no TST um processo oriundo do TRT15 – Campinas onde havia concessão da multa do 477 da CLT, pois a empregadora não pagou dentro dos dez dias. (outro detalhe: no IRR, apontou-se que o TRT5 também aplica a multa) Abordaremos a seguir várias razões que as Turmas do TST utilizaram para negar a multa no valor de uma remuneração do trabalhador, que deram força para que o Tema viesse a surgir: A 2ª Turma do TST declarou que se é incerto o credor, não cabe a multa. A 3ª Turma do TST informou que o art. 477, §8º da CLT não fala da morte, não traz esta previsão. A 4ª Turma do TST explicou que a forma de dissolução do contrato é incompatível com o instituto. Já a 6ª Turma do TST apontou que o empregador não é obrigado a ...