Diploma para ser Jornalista: debate imaginário entre Platão e Aristóteles, por conta dos fatos levantados por Flávio Dino e Alexandre de Moraes, nesta semana de agosto de 2026
Platão: Veja, meu caro Aristóteles, o longo caminhar das leis humanas no Brasil sobre a arte de narrar a verdade. A busca pelo diploma no jornalismo é o anseio da alma por contemplar a Ideia pura da Verdade. Desde a Era Vargas, em 1938, com a criação das escolas de Jornalismo, e declarando que no futuro só seriam jornalistas quem tivessem Diploma (tanto que Jânio Quadros criou um Decreto há 65 anos (1961) assim determinando), tentou-se criar a cidade ideal, onde apenas os jornalistas, devidamente educados e aptos na contemplação e informação do saber, pudessem guiar o povo para fora da caverna das ilusões.
Aristóteles:
A intenção é nobre, meu Mestre, mas a pólis não vive apenas de ideias puras, e
sim de realidades práticas. Quando Tancredo Neves (então primeiro-ministro) revogou
essa exigência em 1962, parece ter havido uma prudência: o excesso de rigor
pode sufocar a vida prática da cidade. O equilíbrio é a chave. Exigir o diploma
como condição absoluta pode ser um extremo que impede o cidadão de comunicar o
que vê; contudo, a ausência total de critérios também pode abrir as portas para
o vício e a desinformação.
Platão:
Mas o vício retornou com a falta de forma! Não à toa, em 1969, a Ditadura
reestabeleceu a norma do diploma para moldar a profissão sob uma estrutura
técnica e rigorosa. Onde falta o compromisso com a excelência acadêmica, a
narrativa se perde na sombra das opiniões passageiras.
Aristóteles:
No entanto, devemos observar os fatos e as consequências no mundo sensível. Em
2009, o Supremo Tribunal Federal ponderou que a virtude não reside no monopólio
de um certificado. A liberdade de expressão e de ofício é um bem supremo que
pertence a todos os homens livres, não podendo ser restrita. A virtude está na justa medida entre a
qualificação do profissional e o direito inalienável do cidadão de se
manifestar.
Platão:
E agora, quando a Corte Suprema retoma os fatos daquele julgamento, por meio de
Alexandre de Moraes e Flávio Dino (neste mês de agosto de 2026), a alma da
pólis volta a se questionar: qual é a essência do bem comum? Devem as leis
guiar as pessoas para o modelo ideal da virtude e do conhecimento formal, ou
devem apenas harmonizar as forças do mundo prático?
Aristóteles:
O julgamento do presente, se houver, deve examinar justamente essa justa
medida, meu Mestre. Não se trata de escolher entre a ilusão e a perfeição, mas
de encontrar o equilíbrio ponderado entre a proteção da sociedade e a
preservação da liberdade fundamental de todos os cidadãos.
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